A esclerose múltipla é uma doença autoimune, que afeta o sistema nervoso central, ou seja, o cérebro e a medula espinhal. Como explica o Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista –, essa doença, possivelmente vinculada à herança genética, envolve a ação do sistema imunológico, que, na presença de certos gatilhos ambientais, como infecções virais (incluindo o vírus do herpes, entre outros), ataca a bainha de mielina, uma espécie de capa protetora dos nervos. Desse modo, tal resposta autoimune pode acabar dificultando a comunicação entre o cérebro e o restante do organismo, levando a sintomas variados, a depender de quais áreas do sistema nervoso foram afetadas.
O Dr. Eduardo nota que existem diversas formas de esclerose múltipla. A mais comum entre elas é a recorrente-remitente, caracterizada pela alternância entre surtos e remissões, ao menos parciais e independentes de tratamento. Esses períodos de melhora podem durar meses ou anos até a próxima ocorrência, seja espontânea ou desencadeada por infecções. Já as formas progressivas – primariamente progressiva e secundariamente progressiva – são mais raras e, como o nome sugere, caracterizam-se, em suma, pela piora contínua dos sintomas ao longo tempo.
Os sintomas são bastante variados. O Dr. Eduardo destaca alguns, como: visão embaçada ou perda parcial da visão; formigamentos ou dormências nos membros; dificuldades para andar; sensação de fraqueza; alterações de equilíbrio ou de coordenação motora; além da fadiga intensa, muito mais forte do que o cansaço comum do cotidiano. O Dr. Eduardo aponta que a sensação de esgotamento e a dificuldade para enxergar, quando são sintomas de esclerose múltipla, podem surgir mesmo na ausência de esforço e piorar ao contato com temperaturas elevadas, como em dias de maior calor, exposição ao sol, saunas e banhos quentes. Isso ocorre porque a elevação da temperatura corporal pode afetar a transmissão dos impulsos nervosos dos neurônios já comprometidos.
Muitas vezes, a esclerose múltipla gera grande preocupação nos pacientes diagnosticados com a doença. O Dr. Eduardo, no entanto, salienta e celebra o grande avanço dos tratamentos, atualmente muito eficazes, em especial na abordagem das formas recorrentes-remitentes, podendo-se até mesmo evitar o progresso da esclerose e colocá-la em estado de remissão total, de inatividade. Os medicamentos, hoje, são capazes de reduzir os surtos e proteger o sistema nervoso contra novas lesões. Para tanto, é fundamental, na presença dos sintomas citados, buscar atendimento especializado, com vistas ao diagnóstico precoce, ao tratamento adequado e ao acompanhamento médico regular, atento aos necessários cuidados cotidianos. Desse modo, como frisa o Dr. Eduardo, “o diagnóstico de esclerose múltipla já não significa, invariavelmente, um futuro de limitações. Pelo contrário, boa parte dos pacientes levam uma vida de qualidade, mantendo seus trabalhos e atividades físicas.”