Epilepsia e Convulsão

O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – observa que, quando se fala em epilepsia, geralmente se imagina uma crise convulsiva “daquelas bem sintomáticas, bem dramáticas, com a pessoa caindo no chão, debatendo-se, salivando, mordendo a língua, etc.”. Mas – nota ele – a realidade é muito mais ampla e, além de existirem vários tipos de crise epiléptica, suas causas nem sempre são muito evidentes.

Como explica o Dr. Eduardo, a epilepsia é um distúrbio neurológico, em que o cérebro apresenta descargas elétricas anormais, que resultam no que a gente observa como crises epilépticas. Além disso, é importante notar que nem toda crise convulsiva é epiléptica. As crises convulsivas podem ter diversas causas, como febre alta em algumas crianças; hipoglicemia; intoxicações por álcool e drogas; traumatismos cranianos. O que, no entanto, caracteriza a epilepsia é a recorrência das crises e a espontaneidade delas, sem a atuação de um fator externo, como os citados.

O Dr. Eduardo nos conta que as crises epilépticas têm manifestações muito variadas. Por exemplo, algumas são bem discretas e podem passar despercebidas por muito tempo, enquanto outras formam quadros mais dramáticos. 

As crises tônico-clônicas, antigamente chamadas de “grande mal”, são as mais reconhecidas: “A pessoa perde a consciência, fica com o corpo rígido e depois começa a se debater, podendo também haver mordedura de língua e perda de urina e fezes.”.

As crises de ausência são mais comuns em crianças: “durante segundos, a pessoa simplesmente desliga, fica com o olhar parado, não responde e, às vezes, pode apresentar movimentos repetidos, como com as mãos ou piscando os olhos, por exemplo.”. O Dr. Eduardo nota que esse tipo de crise muitas vezes pode ser confundido desatenção. 

Já as crises focais, ou parciais, ou, ainda, cognitivas, afetam só uma parte do cérebro, a qual passa por uma alteração de atividade elétrica, que pode causar: movimentos involuntários em um dos braços ou uma das pernas; sensações estranhas como formigamentos; fenômenos visuais como o de luzes piscando; ou até mesmo cheiros estranhos. Eventualmente, essas crises focais, com alteração elétrica em apenas uma região do cérebro, podem evoluir para uma crise convulsiva generalizada, com perda de consciência, chegando, muitas vezes, ao quadro tônico-clônico. 

Como lembra o Dr. Eduardo, existem ainda outros tipos de crise comuns em síndromes epilépticas. É o caso, por exemplo, das crises mioclônicas, caracterizadas por contrações musculares rápidas, súbitas e involuntárias – às vezes descritas como uma “sensação de choque” –, sem necessariamente implicar perda de consciência. 

O Dr. Eduardo nos relata que, para o tratamento da epilepsia, um dos maiores desafios é descobrir a causa em particular: “Enquanto algumas epilepsias têm uma origem bem clara, outras requerem uma investigação mais aprofundada.”. Entre as possíveis causas de crises convulsivas e epilepsia, ele destaca: as lesões cerebrais, como AVC, traumas de crânio e tumores; fatores genéticos, que podem determinar algumas síndromes epilépticas hereditárias e bem definidas; alterações do desenvolvimento cerebral, como malformações, que podem causar crises desde a infância; ou causas desconhecidas, chamadas de idiopáticas. De fato, muitas vezes, os exames podem não mostrar nada e a causa permanece sem identificação. 

A investigação de uma crise convulsiva começa com uma avaliação clínica detalhada, incluindo o relato do paciente e, sempre que possível, de quem presenciou o episódio. O neurologista busca entender o contexto, a duração, os sintomas antes e depois da crise e se houve fatores desencadeantes. Exames como ressonância magnética e eletroencefalograma (EEG) são importantes para identificar possíveis causas e padrões de atividade cerebral. Repetir o EEG ou fazê-lo com privação de sono pode aumentar a chance de detectar alterações. Além disso, como destaca o Dr. Eduardo “é fundamental entender que um EEG normal não exclui o diagnóstico de epilepsia, já que muitas vezes as alterações não aparecem fora das crises. Por isso, o diagnóstico é sempre clínico, baseado na experiência do médico e no conjunto das informações”.

“A boa notícia” – nos diz o Dr. Eduardo – “é que a epilepsia tem tratamento e que grande parte dos casos são muito bem controlados com medicação.”. Existem vários tipos de remédio antiepilético, cada qual mais apropriado a cada situação. Além disso, conta-se também com a tolerância e a adaptação individual de cada paciente. Em alguns casos, podem ser indicadas adaptações de dieta, como, por exemplo, uma dieta cetogênica. Já em outros, uma cirurgia pode ser a recomendação mais adequada.

Finalmente, o Dr. Eduardo avalia que, embora seja uma condição neurológica relativamente comum, a epilepsia ainda é muito cercada por mitos: “Nem toda crise convulsiva é epiléptica. E muitas vezes a gente não consegue descobrir a sua causa. O mais importante, porém, é que a maioria das pessoas com epilepsia pode levar uma vida normal com o tratamento correto.”. Para isso, na presença de algum sintoma como os elencados acima, é fundamental buscar atendimento médico especializado, a fim de se investigar sua origem e encontrar o tratamento mais efetivo.

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