Perda de Memória/ Esquecimento/Alzheimer

O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – observa ser muito comum associar qualquer esquecimento à doença de Alzheimer. Mas assinala que, assim como nem toda perda de memória significa demência, do mesmo modo, nem toda demência é doença de Alzheimer. Por outro lado, ele pontua: “É bastante normal, de vez em quando, especialmente em períodos de maior estresse ou cansaço, esquecermos o nome de uma pessoa conhecida ou onde deixamos as chaves. Mas, quando a perda de memória se torna algo frequente e começa a comprometer as atividades do dia a dia, pode ser sinal de algo mais sério.”.

O Dr. Eduardo explica que, a rigor, o termo demência não se refere apenas à perda de memória, mas a um conjunto de sintomas que envolvem, além de alterações comportamentais, prejuízos nas capacidades de pensar, de lembrar, de planejar e até mesmo de se comunicar. Para serem diagnosticados como demência, esses déficits devem, sobretudo, impactar na vida diária, além de serem progressivos: “Antes da demência, algumas pessoas passam por uma fase chamada distúrbio cognitivo leve, o qual pode ter diversas causas – como um trauma no crânio ou um AVC –. Tal distúrbio pode causar pequenas dificuldades na memória, no raciocínio ou em outras funções corticais, como a linguagem. Mas essas dificuldades não chegam a impactar a vida da pessoa em seu desempenho diário e independente. Ou seja, ela ainda consegue fazer suas coisas normalmente. É importante salientar também que, embora possa evoluir e progredir para um quadro demencial, nem todo distúrbio cognitivo leve terá essa evolução. De todo modo, no entanto, as pessoas que apresentam esse diagnóstico e sintomas condizentes com ele precisam ser acompanhadas de perto.”.

O Dr. Eduardo sublinha que, além da doença de Alzheimer – da qual, a seguir, ele falará mais detidamente –, outras doenças podem causar demência: “Por exemplo, embora tenham uma progressão mais irregular do que o Alzheimer, alguns quadros vasculares – causados por múltiplos AVCs que acumulam alteração e perda de neurônios a ponto de prejudicar o funcionamento do cérebro – também podem evoluir para uma demência. Já a demência por corpúsculo de Lewy é uma outra doença que, além da alteração cognitiva, pode causar alucinações visuais e alterações motoras, semelhantes às da doença de Parkinson. Por sua vez, a demência frontotemporal afeta principalmente o comportamento e a personalidade ou, em outras formas, a linguagem, podendo, antes de comprometer a memória, evoluir para impulsividade e perda de inibição. A doença de Parkinson, em alguns casos bastante evoluídos, também pode progredir para um quadro demencial, chamado de subcortical, no qual se observam, não tanto alterações como as do Alzheimer e das outras doenças citadas – por exemplo, alucinações e alterações visuais –, mas um quadro de apatia e perda de interesse pelas coisas.”. 

O Dr. Eduardo reitera que esquecimentos ocasionais são normais, mas quando a perda de memória se torna uma queixa frequente e começa a interferir na rotina, é importante procurar um médico especialista. “Diagnóstico precoce e acompanhamento adequado podem fazer toda a diferença, tendo em vista que é possível controlar e tratar algumas formas de demência, aquelas que nós chamamos de demências potencialmente reversíveis, relacionadas a déficits de vitaminas, processos inflamatórios do cérebro e outras causas.”.

Falando agora, mais particularmente, sobre a doença de Alzheimer, o Dr. Eduardo aponta ser ela a principal causa de demência no mundo. “O Alzheimer – ele explica – é uma doença neurodegenerativa, de lento desenvolvimento. Ainda não sabemos exatamente o que desencadeia a doença, mas é certo que ela envolve um acúmulo anormal, no cérebro, das proteínas beta-amiloide e tau, que podem levar à morte progressiva dos neurônios. A idade ainda é o seu maior fator de risco, mas outros elementos podem aumentar as chances de seu desenvolvimento. Por exemplo: doenças cardiovasculares, sedentarismo e má alimentação, além do histórico familiar em alguns casos, principalmente em pacientes que, antes dos 65 anos, desenvolvem a forma da doença que chamamos de pré-senil.”

O Alzheimer, como observa o Dr. Eduardo, leva ao declínio contínuo da memória, da cognição e do raciocínio; compromete a linguagem, o reconhecimento de outras pessoas e a tomada de decisões; evolui com a perda da capacidade de realizar atividades diárias e de ter juízo crítico, afetando, até mesmo, o comportamento, podendo-se perceber, por exemplo, sintomas como substituição do dia pela noite e agressividade, tornando-se, assim, um grande desafio para pacientes, familiares e equipe médica. “Geralmente, a doença inicia com dificuldade para lembrar informações recentes, como conversas ou compromissos. Mas ela afeta mais do que a memória. Nesse sentido, outros sinais concretos, que podem indicar Alzheimer, são: dificuldade para encontrar palavras e se expressar; desorientação no tempo e no espaço, como perder-se nos lugares mais familiares; dificuldade para resolver problemas simples, como pagar as contas ou seguir uma receita; mudanças súbitas de humor e comportamento, incluindo apatia, irritabilidade, desconfiança ou alterações do sono; e, em fases mais avançadas, dificuldade para reconhecer pessoas próximas.”.

Embora não seja possível impedir o Alzheimer, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco de seu desenvolvimento e a retardar sua progressão: “Socializar e manter a mente ativa – por exemplo, lendo bastante, aprendendo algo novo – são medidas que ajudam a fortalecer as conexões cerebrais; atividades físicas, por sua vez, melhoram a circulação sanguínea do cérebro e reduzem o risco de demência; alimentação saudável, com dieta rica em frutas, vegetais e ômega-3, também podem ajudar a proteger o cérebro; assim como é fundamental o controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e colesterol”.

O diagnóstico da doença de Alzheimer é feito com base na história clínica, testes cognitivos, exames de imagem e, às vezes, exames de neuroimagem funcional, como o PET scan

Como ressalva, finalmente, o Dr. Eduardo, o Alzheimer ainda não tem cura, mas um diagnóstico precoce e os cuidados adequados podem fazer muita diferença: “Isso porque, atualmente, existem tratamentos que – principalmente se começarem em fases bem iniciais da doença – ajudam a desacelerar sua progressão e, por conseguinte, melhoram a qualidade de vida dos pacientes. É necessário, portanto, estar alerta aos seus sintomas e, na presença deles, buscar atendimento médico especializado”.

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