“Você já viu alguém acordar com metade do rosto paralisado, sem conseguir fechar um olho, sorrir ou mesmo com dificuldade de beber água sem babar? Isso é uma paralisia facial e, apesar de assustar, muitas vezes tem tratamento e recuperação completa.” O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – afirma que, na presença desses sintomas, o mais importante é entender qual a sua causa e se a situação exige maior atenção.
A paralisia facial periférica ocorre quando o nervo facial, responsável pelos movimentos da mímica do rosto, deixa de funcionar em um dos lados da face. Como observa o Dr. Eduardo, “a pessoa não consegue franzir a testa, sorrir, piscar ou levantar a sobrancelha do lado acometido. Pode parecer um AVC, mas o padrão é diferente, sendo necessário um exame clínico para que o neurologista possa fazer a distinção.”
A paralisia de Bell é a forma mais comum de paralisia facial periférica. Surge de forma relativamente súbita, algumas vezes precedida por uma dor em pontada no ossinho atrás da orelha. Geralmente, não se vincula a qualquer outra causa aparente, mas acredita-se que possa estar ligada a reações inflamatórias ou mesmo virais que, eventualmente, afetem o nervo, principalmente o vírus da herpes. Os sintomas da paralisia de Bell incluem a súbita paralisia de um lado do rosto; dificuldade de fechar os olhos; boca desviada para o lado não afetado; hipersensibilidade do ouvido acometido; e alterações de paladar. Como nota o Dr. Eduardo, apesar do susto, a maioria dos casos apresenta boa recuperação, especialmente se logo tratados com corticoide. “Quanto mais cedo começar o tratamento, melhor o prognóstico.” Em alguns casos, a paralisia facial pode recorrer, ou seja, voltar mais de uma vez. Quando isso acontece, seja em lados alternados ou do mesmo lado, caracteriza-se um sinal de alerta. Nesse caso, é necessário investigar outras causas, como doenças autoimunes, malformações anatômicas e alterações genéticas, infecções crônicas ou até mesmo tumores. “Paralisia facial, portanto – salienta o Dr. Eduardo –, não é tudo igual e quem tem crises repetidas precisa ser submetido a uma investigação mais profunda.”
Algumas vezes, a paralisia facial periférica é acompanhada por um quadro de dor no conduto auditivo e bolhas no ouvido. “Nesses casos, trata-se do que chamamos síndrome de Ramsay Hunt. Ela é causada pelo mesmo vírus da catapora, o mesmo da herpes zoster e ataca os nervos da face e outros nervos da região do ouvido, causando paralisia facial; dor intensa; bolhas na orelha ou até mesmo dentro da boca; zumbido; vertigem; e, eventualmente, perda auditiva. É uma forma bem mais agressiva de paralisia facial e exige tratamento com corticosteroides e antivirais, muitas vezes intravenosos. A pegadinha da história é que, às vezes, a síndrome de Ramsay Hunt pode começar apenas com paralisia facial periférica e ser clinicamente indistinguível de uma paralisia de Bell.” O Dr. Eduardo nota ainda que, mesmo com tratamento, a recuperação da síndrome de Ramsay Hunt pode ser mais lenta, além de existir risco de sequelas. “A paralisia facial, portanto – conclui o Dr. Eduardo –, é um daqueles casos em que o rosto avisa que algo está errado. Pode ser benigna, como a paralisia de Bell, que representa a grande maioria dos casos e melhora bastante com o tratamento. Pode ser sinal de algo mais sério, como a síndrome de Ramsay Hunt. Ou, ainda, sinal de outra causa recorrente mal investigada.”