O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – nota que fraqueza muscular nem sempre decorre de problemas dos nervos ou do cérebro, podendo, muitas vezes, o problema se encontrar no próprio músculo. É o caso das miopatias, doenças primárias dos músculos, que afetam diretamente as fibras musculares, resultando de um defeito no interior de suas células. “Sendo assim, as miopatias diferem de problemas neurológicos que afetam, mais exatamente, a transmissão do sinal entre o cérebro e o músculo, como a miastenia gravis ou as neuropatias. Nas miopatias, o músculo não responde da forma adequada, seja por causa de uma inflamação, de um defeito genético, de um distúrbio metabólico ou de uma doença degenerativa.”

Entre os principais sintomas, o Dr. Eduardo destaca: fraqueza muscular, geralmente simétrica; dificuldade para atividades simples, como levantar os braços, pentear o cabelo, subir escadas, levantar-se do chão; fadiga muscular rápida; em alguns casos, dor muscular; atrofia, ou seja, perda da massa muscular; em algumas formas da doença, observam-se rigidez, câimbras e até deformidades musculares; e casos mais graves podem afetar a respiração ou a deglutição. O Dr. Eduardo nos conta que, pelo fato de a sensibilidade geralmente ser preservada nos quadros de miopatia, é possível distingui-la da neuropatia

Os tipos mais comuns de miopatia incluem: 

  • miopatias inflamatórias: doenças inflamatórias e, às vezes, autoimunes, em que o sistema imunológico ataca o próprio músculo, como, por exemplo, polimiosite; dermatomiosite – “prima” da polimiosite, mas associada ao surgimento de lesões na pele –; e miopatias por corpúsculos de inclusão, uma doença mais comum nos idosos.
  • miopatias metabólicas, decorrentes de defeitos genéticos que afetam o metabolismo do músculo. Seus sintomas geralmente aparecem com o exercício. A doença de Pompe e a doença de McArdle são exemplos desse tipo de miopatia.
  • distrofias musculares: doenças genéticas progressivas, como a distrofia de Duchenne, que afeta pessoas do sexo biológico masculino e costuma aparecer na infância, ou algumas distrofias que aparecem na idade adulta, como a distrofia miotônica.
  • miopatias tóxicas ou induzidas por medicamentos: aquelas decorrentes, por exemplo, do excesso de álcool ou de remédios que podem afetar o músculo, como as estatinas, utilizadas para tratamento de colesterol alto, e os corticoides.
  • miopatias endócrinas: alterações hormonais que afetam o músculo, como as da tiroide ou das adrenais.

Como conta o Dr. Eduardo, o diagnóstico é feito a partir da avaliação do padrão de fraqueza, do histórico clínico e de exames. “Através de exames laboratoriais, conseguimos avaliar enzimas que aumentam quando o músculo está sendo lesado, por exemplo, a CPK, a desidrogenase lática, a mioglobina, entre outras. Já a eletroneuromiografia possibilita distinguir as miopatias das neuropatias. Ao passo que algumas doenças requerem a realização de testes genéticos e, em certos casos, biópsia muscular, a fim de se avaliar a inflamação, a degeneração ou alterações estruturais da célula muscular.”

O tratamento depende da causa. Algumas miopatias são potencialmente curáveis, por exemplo: as miopatias inflamatórias, cujo tratamento envolve corticoides e imunossupressores, medicações que reduzem a atividade do sistema imunológico; as miopatias tóxicas, cujo tratamento consiste na suspensão do agente causador da lesão muscular; e as miopatias endócrinas, cujo tratamento corrige o distúrbio hormonal, visando a promover a normalização da função muscular. Já outras miopatias, como as genéticas, não têm cura, mas o acompanhamento com fisioterapia, a reabilitação e o suporte multidisciplinar podem colaborar na preservação da funcionalidade e da qualidade de vida. O Dr. Eduardo salienta que nem toda fraqueza muscular vem da idade avançada ou da falta de exercícios. “Quando movimentos como subir escadas ou pentear o cabelo se tornam difíceis, quando os braços cansam com outras tarefas simples, ou quando se nota uma progressiva perda de força muscular, a investigação se torna necessária. Miopatias são diversas, mas, quanto mais cedo forem identificadas, maior a chance de controle e preservação da função muscular.”

Compartilhe

Obrigado por entrar em contato!

Sua solicitação está sendo processada por nossa equipe, fique atento ao nosso retorno que deve ocorrer o mais breve possível.