O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – nos explica que o sistema vascular do cérebro é um complexo sistema de artérias e veias, que garantem o suprimento de sangue para os neurônios. As possíveis alterações nessa estrutura são chamadas de malformações vasculares, as quais podem ser congênitas – quando a pessoa já nasce com elas – ou adquiridas ao longo da vida. O Dr. Eduardo nota que “essas malformações podem passar despercebidas por anos, até que um dia, sem nenhum aviso, causam uma emergência grave.”
O aneurisma cerebral é um dos tipos dessas alterações. Caracteriza-se, como descreve o Dr. Eduardo, por pequenas dilatações nas artérias do cérebro. “Imagine, então, um balão que vai enchendo aos poucos. Em alguns casos, ele pode parar de aumentar e se manter estável. Mas, em outros, ele pode crescer até o ponto de ficar frágil, romper e gerar um sangramento grave chamado de hemorragia subaracnóidea.”. Para o Dr. Eduardo, o problema é que, muitas vezes, os aneurismas não apresentam sintomas antes das rupturas e, quando rompem, podem gerar dor de cabeça súbita e intensa, classicamente descrita como “a pior dor de cabeça da vida”, náuseas, vômitos, rigidez do pescoço, alterações de consciência ou desmaio e déficits neurológicos agudos, como perda de visão, dificuldade para falar ou movimentar alguma parte do corpo.
Além dos aneurismas, o Dr. Eduardo cita outras malformações vasculares do sistema nervoso central:
As malformações arteriovenosas são conexões anormais entre as artérias e as veias do cérebro. Normalmente, o sangue flui, das artérias, para vasos bem pequenos, chamados vasos capilares, e, depois, para as veias. Mas, no caso de uma malformação arteriovenosa, esse fluxo ocorre desorganizada e diretamente da artéria para a veia, podendo causar sangramentos, crises epilépticas e outros sintomas neurológicos, a depender de onde se localiza a malformação.
Embora menos conhecidas, os cavernomas e as telangiectasias também são malformações vasculares do sistema nervoso central, caracterizadas por pequenos aglomerados de vasos sanguíneos dilatados, que geralmente não causam sintomas, podendo ser descobertas, por acaso, em exames de imagem realizados por outros motivos. Os cavernomas, em especial, podem eventualmente sangrar e precisar de tratamento, enquanto as telangiectasias raramente causam problemas.
A maioria dessas malformações podem ser diagnosticadas por meio de exames complementares, como angiotomografia, angiografia por ressonância magnética e, em alguns casos, quando necessário, por um exame invasivo chamado angiografia cerebral digital.
Como conta o Dr. Eduardo, o tratamento varia conforme o tipo e a gravidade do problema e pode incluir observação, uso de medicações para o controle dos sintomas, ou procedimentos específicos de correção, como embolização, cirurgia ou radiocirurgia.
O Dr. Eduardo alerta que os aneurismas e as outras malformações vasculares do sistema nervoso central podem ser silenciosos, mas exigem atenção imediata ao darem qualquer sinal, sendo então necessário buscar rapidamente atendimento médico especializado, a fim de se diagnosticar o problema o quanto antes e proceder ao tratamento mais adequado.