Doenças do Sistema Nervoso Periférico (Mononeuropatias e Polineuropatias)

O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – explica que o sistema nervoso periférico é como se fosse a rede elétrica do corpo: “Ele conecta o cérebro, a medula e os músculos, peles e órgãos. Quando essa rede apresenta falhas, os sinais podem ser sutis ou graves e incapacitantes. Sintomas como dormências, formigamentos, fraquezas, dores e queimação podem indicar que algo de errado com os nervos periféricos.”

Mas o que são as doenças do sistema nervoso periférico? São condições que afetam os nervos fora do cérebro e da medula espinhal. Tais doenças podem comprometer a sensibilidade – ou seja, as sensações de toque, de dor e de temperatura –; a motricidade – ou seja, força e coordenação –; e as funções autonômicas – como a pressão arterial, a sudorese, a digestão, as sensações de evacuação e de urinar, entre outras. 

Como observa o Dr. Eduardo, as doenças do sistema nervoso periférico se dividem, em geral, em mononeuropatias e polineuropatias, a depender da forma como os nervos são afetados. 

“As mononeuropatias envolvem um único nervo e, geralmente, são causadas por compressão, traumas ou esforço repetitivo. São exemplos de mononeuropatia: a Síndrome do túnel do carpo, uma compressão do nervo mediano, que passa no punho, causando dormência e dor nas mãos, principalmente à noite; a Paralisia do nervo radial, mais conhecida como ‘mão caída’, por causar fraqueza para estender o punho e os dedos; ou a compressão do nervo fibular, mais conhecida como ‘pé caído’, caracterizada pela dificuldade para levantar o pé, comum após cruzar as pernas por muito tempo.” O Dr. Eduardo nota que as mononeuropatias são quadros localizados, com sintomas bem definidos e que, frequentemente, apresentam bom prognóstico se tratados corretamente. 

“Já as polineuropatias se caracterizam pelo comprometimento difuso dos nervos periféricos, geralmente começando por extremidades, por onde os nervos são mais finos e sensíveis, ou seja, pelas mãos e pelos pés. Os sintomas típicos incluem: dormência e formigamento nos pés e nas mãos; dor e queimação, principalmente à noite; sensação de andar, por assim dizer, sobre algodão, travesseiros ou vidro quebrado; fraqueza muscular distal, ou seja, mais próxima das mãos e dos pés; e, em casos mais avançados, perda de reflexo, desequilíbrios e quedas.” Entre as principais causas de polineuropatia, o Dr. Eduardo destaca: Diabetes Mellitus, sendo esta a causa mais comum; a neuropatia diabética, que pode ocorrer mesmo quando a glicemia está aparentemente controlada, a depender do tempo de evolução da doença; deficiências de vitamina, especialmente da vitamina B12; uso crônico de álcool; algumas doenças autoimunes e inflamatórias, como Lúpus, Vasculites e Síndrome de Guillain-Barré; algumas medicações, como antibióticos, quimioterápicos e medicações antivirais; causas genéticas hereditárias, como a Doença de Charcot-Marie-Tooth – doença clássica, que afeta principalmente os nervos sensitivos –; causas tóxicas, infecciosas e metabóricas; e, finalmente, causas desconhecidas, que resultam na polineuropatia idiopática, aquela que não se explica 100% etiologicamente. 

Segundo o Dr. Eduardo, o diagnóstico das doenças do sistema nervoso periférico é feito a partir da avaliação dos sintomas, do exame físico detalhado e de alguns exames específicos, dentre os quais o mais importante é a eletroneuromiografia. Este exame confirma o quadro de neuropatia e indica seu tipo específico, sua gravidade e se ainda está em atividade, ou seja, se continua lesionando os nervos ou se os sintomas decorrem de sequelas de lesões passadas. Também podem ser solicitados exames de sangue, na busca por alterações metabóricas, autoimunes, carenciais ou infecciosas; e, em alguns casos, exames de imagem, como ultrassom, ressonância e tomografia

Como explica o Dr. Eduardo, o objetivo inicial do manejo dessas doenças é encontrar sua causa, para que possa ser tratada, no sentido de controlar os sintomas e evitar a progressão do quadro. “O tratamento pode incluir: controle rigoroso de glicemia, como no caso de diabetes; suplementação de vitaminas ou de outras deficiências nutricionais; medicações específicas para tratamento da dor, por exemplo, gabapentina, duloxetina, pregabalina, carbamazepina, etc.; fisioterapia e reabilitação motora; além de monitoramento contínuo, a fim de evitar complicações decorrentes da alteração de sensibilidade, como quedas e úlceras nas pernas.”. O Dr. Eduardo nota que algumas neuropatias são reversíveis e que, mesmo nos casos em que não o são, o tratamento precoce continua sendo fundamental, a fim de se reduzir o impacto da doença na qualidade de vida do paciente. “Dormência, formigamento, queimação, fraqueza podem parecer sintomas simples, mas não devem ser ignorados caso sejam persistentes. Muitas doenças do sistema nervoso periférico são tratáveis e, quanto mais cedo forem identificadas, maior a chance de recuperação ou controle.”

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