O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – nos explica que a dor neuropática acontece quando os nervos, que deveriam transmitir sensações normais, passam, por algum motivo, a enviar sinais errados para o cérebro. “Isso – diz ele – pode gerar uma dor intensa – mesmo que não exista um estímulo real –, ou uma sensação exagerada de dor, resultante de algo que, normalmente, não causaria nenhum desconforto.”
A dor neuropática se manifesta de diversas formas. As mais comuns são as sensações de queimação; pontadas; choque elétrico; agulhadas; formigamento constante; dor exagerada ao menor toque, chamada hiperalgesia; anestesia dolorosa, quando a pele permanece o tempo todo dormente, mas, quando estimulada, apresenta dor; e alodinia, uma sensação de dor provocada por estímulos que, normalmente, não causam dor, como, por exemplo, o contato de uma roupa ou de um golpe de ar.
Como observa o Dr. Eduardo, a dor neuropática pode surgir por diversos motivos. “Por exemplo: a neuropatia diabética – decorrente do excesso de açúcar no sangue, que danifica os nervos e, consequentemente, causa dor e perda de sensibilidade, principalmente nos pés –; as lesões de nervo diretas – como cirurgias, traumas ou algum tipo de compressão dos nervos, como na síndrome do túnel do carpo ou na dor do ciático –; doenças do sistema nervoso central – como AVCs e esclerose múltipla –; infecções virais – sendo o herpes-zoster a mais clássica e comum entre elas, além de bastante incômodo, podendo resultar em sintomas que duram até meses após o fim da infecção –; e, finalmente, o que nós chamamos de síndrome da dor pós-amputação, ou membro fantasma, quando o paciente sente dor em um membro removido.”
O diagnóstico é feito com base em sintomas, exames clínicos e, eventualmente, alguns exames subsidiários, como eletroneuromiografia. Quanto ao tratamento, o Dr. Eduardo nota que a dor neuropática não responde muito bem ao analgésico comum. “Geralmente, o tratamento envolve medicações que modulam a função dos nervos, como antidepressivos e anticonvulsivantes, que regulam os sinais nervosos e reduzem a dor; bloqueios realizados diretamente na região anatômica envolvida, que podem aliviar os casos mais intensos; estimulação elétrica e fisioterapia, que podem ajudar na reabilitação dos nervos; além de neuromodulação ou medicações mais modernas e inovadoras, métodos, esses, indicados para o tratamento de alguns casos graves.”
Finalmente, o Dr. Eduardo aponta que a dor neuropática é um quadro possivelmente debilitante, para a qual, no entanto, há opções eficazes de tratamento, geralmente envolvendo uma abordagem multidisciplinar.