O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – relata que dor de cabeça – ou, o termo médico, cefaleia – é uma das queixas mais comuns em qualquer consultório médico e, na maior parte das vezes, não significa nada grave. Estudos mostram que até 90% das pessoas terão cefaleia em algum momento da vida. Ele pondera, no entanto, que nem todas as dores de cabeça são iguais. “Enquanto, por exemplo, algumas são passageiras, outras aparecem de forma recorrente e impactam na qualidade de vida, em alguns casos demandando atenção especial.”. Como explica o Dr. Eduardo, os médicos, para facilitar o entendimento, dividem as cefaleias em primárias e secundárias.
Nas cefaleias primárias, a dor de cabeça não provém de outro problema de saúde. Dentre as mais comuns, está a enxaqueca, caracterizada por uma dor geralmente pulsátil, em um ou ambos os lados da cabeça, acompanhada ou não de outros sintomas como náuseas, tonturas e sensibilidade à luz e ao som, tendo uma duração bastante variável, entre horas ou até mesmo dias. Outro tipo importante de dor de cabeça primária é a cefaleia tensional, que provoca sensação de aperto ou peso na cabeça, mais comum ao final do dia, não costuma piorar com esforço físico e possivelmente é relacionada ao estresse e à tensão muscular. Além dessas síndromes, há também a cefaleia em salvas, uma das piores dores de cabeça que existem, intensa e unilateral, geralmente ao redor do olho e, às vezes, acompanhada por sintomas como lacrimejamento e congestão nasal. Tal cefaleia evolui em ciclos durante o ano, alternando entre períodos de crises de dor e períodos sem ela.
Por sua vez, as cefaleias secundárias são um sinal de alerta, um sintoma de outro problema, como, por exemplo, de infecções como sinusite e meningite; ou então de descontrole da pressão arterial; ou ainda de doenças neurológicas como aneurismas, tumores ou neuralgias.
Quando precisamos ver a dor de cabeça como um sinal de alerta? O Dr. Eduardo observa que, na maior parte dos casos, a dor de cabeça não é um sintoma grave. Por outro lado, ele destaca os sinais que indicam a necessidade de procurar um médico imediatamente: dor súbita, intensa, com a sensação de “pior dor de cabeça da vida”, é um característico sinal de alerta para rupturas de aneurismas; dor que piora progressivamente, não melhora com analgésico, pode indicar outros tipos de problemas, como aumento da pressão no crânio; também são sinais de alerta os sintomas neurológicos associados à dor de cabeça, como, por exemplo, fraqueza, formigamento, dificuldade para falar ou enxergar; além disso, dores de cabeça inéditas, em pessoas acima de 50 anos, podem estar associadas a outros problemas, como vasculares ou inflamações; dor de cabeça com febre ou rigidez no pescoço pode ser um sinal de meningite; e, finalmente, dor de cabeça que piora ao deitar, ou vem acompanhada por vômitos persistentes, caracteristicamente sugere aumento de pressão intracraniana.
O Dr. Eduardo salienta, portanto, que, embora a maior parte das dores de cabeça seja benigna e controlável, é essencial saber reconhecer os sinais de alerta e, na presença deles, procurar atendimento médico especializado, com vistas a diagnosticar o quadro e proceder ao tratamento adequado.