O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – nos sugere o seguinte quadro: “Imagine sentir dor de cabeça todo dia, a visão começar a falhar e os exames indicarem um aumento da pressão dentro da cabeça, como se houvesse ali um tumor crescendo, mas com a imagem mostrando a inexistência de qualquer tumor. Isso é o que chamamos hipertensão intracraniana idiopática, também conhecida como síndrome do pseudotumor cerebral, porque imita os sintomas de um tumor, embora ele não esteja de fato presente.”
A hipertensão intracraniana idiopática é uma condição em que a pressão no interior do crânio aumenta, sem, no entanto, haver uma causa visível para isso, como seriam os casos de um tumor, uma infecção ou um sangramento. Por isso é chamada idiopática, o que, em medicina, significa uma doença com causa desconhecida. No caso em particular, o cérebro está intacto, mas sofre como se houvesse um invasor no crânio.
Como observa o Dr. Eduardo, embora a hipertensão intracraniana idiopática possa acometer qualquer pessoa, inclusive homens e crianças, ela é mais frequente em mulheres jovens, em especial na idade fértil, e está muitas vezes associada a sobrepeso ou obesidade, resistência insulínica – ou seja, a situação pré-diabética – e síndrome de ovários policísticos. Em alguns casos, determinados medicamentos, como antibióticos específicos, ou derivados de vitamina, principalmente vitamina A, também podem causar o distúrbio.
O Dr. Eduardo explica que os principais sintomas são causados justamente pelo aumento anormal da pressão no interior do crânio. “Dor de cabeça diária, geralmente latejante, que piora ao deitar, acorda o paciente durante a noite, ou piora com esforço físico; zumbido pulsátil, como se houvesse um batimento de coração na cabeça; alterações visuais, como visão borrada, dupla, ou até mesmo escurecimento súbito – são sintomas da condição.” No exame físico, é possível observar um inchaço do nervo óptico, chamado papiledema. E, em casos mais graves, se a condição não for tratada a tempo, pode ocorrer a perda irreversível da visão.
O Dr. Eduardo nota que a ressonância e a tomografia, realizadas em pessoas com essa condição, mostram tudo normal, exceto pelo inchaço dos nervos ópticos e, às vezes, por sinais sutis de aumento da pressão intracraniana. O diagnóstico, portanto, é diferencial, ou seja, feito a partir do descarte de outras causas – como dor de cabeça tensional e enxaqueca –, através de exames de imagem e da punção lombar, procedimento que permite medir a pressão com que o líquido cefalorraquidiano sai pela agulha, fornecendo uma correspondência em relação ao que se passa dentro do crânio. Geralmente, valores acima de 25 começam a sugerir a condição. Como aponta o Dr. Eduardo, “apenas depois de excluídas todas as demais causas possíveis e de se demonstrar, por meio da punção lombar, a hipertensão intracraniana, é que se conclui o diagnóstico de hipertensão intracraniana idiopática.”
Quanto ao tratamento, seu objetivo é reduzir a pressão no interior do crânio e, desse modo, diminuir a chance de um edema crônico do nervo óptico e proteger a visão. “O tratamento inclui medicamentos como diuréticos, sendo a acetazolamida o principal deles, que, indiretamente, diminui a produção de líquido cefalorraquidiano. Além disso, são necessárias medidas para controle do peso, que, em muitos casos, é a chave para a contenção da doença. Casos mais graves, ou de pacientes que não toleram tratamento com medicação, podem precisar de punções lombares repetidas, cirurgias com colocação de válvula, procedimentos de descompressão do nervo óptico ou, às vezes, até mesmo a inserção de stents nas veias da cabeça, a fim de aumentar o retorno venoso e amenizar a pressão dentro do crânio.” O Dr. Eduardo salienta que a hipertensão intracraniana é, portanto, uma doença potencialmente séria, cujo grande risco é a perda irreversível da visão. “Por outro lado, é 100% tratável se identificada a tempo.”