Miastenia Gravis

“Sabe aquela sensação de fraqueza que piora ao longo do dia, a pálpebra que cai, o olho que começa a dobrar as imagens, a voz que falha? Tudo isso pode ser sintoma de miastenia gravis, uma doença autoimune, pela qual o corpo resolve sabotar a própria força muscular, literalmente.” O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – explica que o sistema imunológico da pessoa com miastenia gravis ataca a ligação entre o nervo e o músculo, de modo que o nervo envia o comando, sem que, no entanto, o músculo possa recebê-lo. “Em uma analogia, é como se o sinal de Wi-Fi estivesse fraco.”

Como resultado, a doença se caracteriza, em suma, por uma fraqueza muscular que piora com o uso do músculo e melhora com o descanso. Tal fraqueza tem características bem específicas: com muita frequência, acomete músculos do olho, manifestando-se na pálpebra caída, o que pode ser um primeiro sinal da doença, e na visão dobrada; também pode levar a dificuldade para falar, mastigar e engolir, especialmente após falar ou comer por algum tempo; pode, além disso, acometer pescoço, braços ou pernas. Em casos mais graves, caracteriza-se o que se chama crise miastênica, que envolve o comprometimento de músculos respiratórios. 

A miastenia gravis pode aparecer em qualquer idade, mas, principalmente, em mulheres jovens, entre 20 e 40 anos, e em homens mais velhos, acima dos 60. Em alguns casos, pode estar associada a alterações no timo, uma glândula atrás do esterno, o osso do peito. 

O diagnóstico é clínico, mas pode ser confirmado por alguns exames, dentre os quais o Dr. Eduardo destaca: “os testes de anticorpos – os mais comuns são a dosagem de anticorpo anti-receptor de acetilcolina e o Anti-MuSK –; a eletroneuromiografia, com a técnica de estimulação repetitiva, sendo esse o exame mais importante; e a tomografia do tórax para se avaliar o timo, em busca de uma alteração nessa glândula.”

O Dr. Eduardo salienta que o tratamento da miastenia gravis costuma trazer bons resultados. “Os anticolinesterásicos, como a piridostigmina, melhoram a comunicação entre os nervos e os músculos. Já os imunossupressores reduzem a atividade do sistema imunológico e freiam o ataque autoimune. Em casos mais graves, além de tratar as crises miastênicas, podem ser necessários tratamentos como o de imunoglobulina ou a plasmaferese, uma espécie de limpeza do sangue. E, quando o timo está comprometido, é indicada a retirada cirúrgica da glândula.” O Dr. Eduardo conclui retomando os principais pontos a respeito da miastenia gravis: “trata-se de uma doença traiçoeira, que não causa dor ou formigamento, mas pouco a pouco vai consumindo a força, principalmente com o uso da musculatura. O paciente começa o dia bem e o termina exausto, com as pálpebras caídas, visão dobrada e fadiga intensa. O diagnóstico precoce e o tratamento correto permitem controlar muito bem a doença e viver com qualidade.”

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