Todo mundo já sentiu tontura alguma vez. Ela pode ocorrer quando nos levantamos rapidamente, após um dia cansativo, ou por causa de jejum prolongado. O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – alerta, porém, que nem toda tontura é inofensiva. “Algumas tonturas podem indicar problemas neurológicos ou de labirinto, demandando, portanto, atenção.”.
Como ele explica, tontura não é uma doença, mas um sintoma, significando coisas diferentes para cada pessoa e para cada caso. “Ela pode se apresentar, por exemplo, numa sensação de ‘cabeça leve’, como se a pessoa fosse desmaiar; ou numa sensação de instabilidade, como se o chão estivesse se movendo, como se fosse um barco; ou ainda numa sensação de rotação, como se o ambiente estivesse girando, classicamente descrita como vertigem.”.
O Dr. Eduardo observa também o uso corriqueiro do termo labirintite, inclusive por médicos, para designar qualquer tontura. Mas esclarece que a labirintite, por definição, é uma rara inflamação – de causa, muitas vezes, infecciosa – que acomete o labirinto, a parte do ouvido responsável pelo equilíbrio. Tal inflamação, de fato, gera uma vertigem intensa, podendo, além disso, causar perda auditiva, mas é, como dito, bastante incomum. “Ao contrário, na maior parte das pessoas, o que geralmente causa tontura rotatória – e é equivocadamente creditado como labirintite – são problemas como: vertigem posicional paroxística benigna (VPPB), a qual é bastante frequente; doença de ménière; neurite vestibular; ou até mesmo condições neurológicas e cardiovasculares. Portanto, falar ‘estou com labirintite’, sem antes passar por uma avaliação médica cuidadosa, pode levar à confusão e atrasar o diagnóstico.”.
Na maior parte dos casos, as causas mais comuns de tontura são benignas, passageiras e tratáveis. “Por exemplo, a VPPB ocorre quando pequenos cristais no ouvido interno se deslocam e começam a enviar sinais errados para o cérebro. A pessoa então sente uma tontura forte, rotatória, geralmente ao mudar de posição, como virar na cama ou levantar-se.”. Outras causas comuns de tontura são: pressão baixa ou variações bruscas de pressão, “como acontece ao levantar-se rapidamente, sentindo-se então uma leve turvação visual e sensação de “cabeça vazia”; hipoglicemia, ou seja, baixo nível de açúcar no sangue; e efeitos colaterais de medicações, como daquelas para pressão e para tratamento de ansiedade.”. Além dessas causas, o Dr. Eduardo aponta que a tontura pode também ser sintoma de algum problema neurológico, manifestando-se como dificuldade para falar, acompanhada por alterações visuais – por exemplo, visão dupla –, sensação de fraqueza ou alteração da sensibilidade em um lado do corpo. Quando a tontura está associada a zumbido intenso e perda auditiva súbita, pode corresponder a uma doença do ouvido interno. De outra parte, uma tontura persistente, que dura por dias ou semanas, ininterruptamente, ou que está associada a quedas frequentes e desequilíbrio progressivo, pode significar o começo de uma doença neurológica, como a alteração dos nervos periféricos ou até mesmo a doença de Parkinson.
Como salienta o Dr. Eduardo, o primeiro passo para a investigação da tontura é um exame clínico e a anamnese. “O médico pode fazer testes específicos para identificar a causa do sintoma e, se necessário, solicitar exames complementares, como ressonância magnética, audiometria, avaliação da função do labirinto, por meio de um exame chamado otoneurológico, além de outros testes.”.
O tratamento correto depende da identificação da origem do problema e, consequentemente, de um diagnóstico preciso. Em alguns casos, pode envolver apenas manobras para reposicionar os cristais do ouvido – a VPPB responde a manobras de reposicionamento (Epley / Semont); ajustes na alimentação; mudanças de hábitos de vida; controle da pressão. Em outros, o restabelecimento do equilíbrio pode demandar um tratamento fisioterapêutico. Por isso – como volta a frisar o Dr. Eduardo – sempre é importante lembrar que labirintite não é sinônimo de tontura, mas um termo usado, muitas vezes, de forma pouco rigorosa, inclusive por médicos, para descrever qualquer sintoma relacionado a alteração do equilíbrio.
O Dr. Eduardo finaliza alertando que se, por um lado, a tontura ocasional pode ser considerada normal, por outro, caso seja intensa, frequente ou acompanhada por outros sintomas, ela precisa de atenção.