Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade

O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – aponta que o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, o famoso TDAH, é um dos transtornos neuropsiquiátricos mais comuns, mas também um dos mais mal interpretados. “Durante muito tempo, foi visto como ‘molecagem’, ‘falta de disciplina’ ou simplesmente ‘coisa de gente desligada’. O problema é que, enquanto assim se pensava, milhares de crianças e adultos sofriam em silêncio.”

O TDAH é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta principalmente o sistema de atenção, o controle inibitório, a organização e o planejamento. Como informa o Dr. Eduardo, “não é preguiça, não é falta de força de vontade e definitivamente não é ‘frescura’. O cérebro das pessoas com TDAH funciona de modo bastante particular, especialmente nas áreas ligadas à autorregulação e à motivação.”

Durante a infância, o TDAH costuma aparecer como agitação motora excessiva; dificuldade de prestar atenção nas aulas e de corresponder a regras e limites; impulsividade; respostas irrefletidas; e envolvimento em situações e assuntos que a princípio não lhe dizem respeito. Já durante a vida adulta, a hiperatividade tende a diminuir, mas os problemas continuam de outras formas: dificuldade de manter o foco e a atenção em tarefas longas ou monótonas; dificuldade de concluir projetos; procrastinação crônica; desorganização; esquecimentos; perdas de prazos; problemas de relacionamento no trabalho; alternância entre euforia e tédio; ansiedade; irritabilidade; e baixa autoestima crônica.

Como observa o Dr. Eduardo, “muitos adultos com TDAH passaram a vida acreditando que eram apenas bagunceiros, indisciplinados ou que não tinham um desempenho cognitivo escolar a contento. A explicação, se veio, veio só mais tarde.” A questão que então se coloca é por que, no passado, as pessoas não eram devidamente diagnosticadas. “Simplesmente porque – responde o Dr. Eduardo –, naquela época, o TDAH era visto como ‘coisa de moleque agitado’. Se a criança era inteligente e alcançava as notas requeridas, tudo bem. Ou, se era apenas distraída, não se via motivo para preocupação. Resultado: milhares de pessoas chegaram à vida adulta com histórico de frustração escolar, dificuldade de manter rotinas, relações caóticas e um sentimento constante de inadequação.” 

O Dr. Eduardo ressalta que, atualmente, não apenas é possível diagnosticar o transtorno, como também há tratamento para ele. O diagnóstico é essencialmente clínico, ou seja, feito com base em observação do comportamento e no relato dos sintomas, levando em conta o histórico do paciente e o impacto das dificuldades no dia a dia. Não existe um exame de sangue, de imagem ou qualquer teste laboratorial que confirme o diagnóstico. O que se avalia são padrões persistentes de desatenção, impulsividade e/ou hiperatividade, que interferem significativamente na vida escolar, profissional ou social. Por isso, a avaliação precisa ser feita por profissionais experientes, que saibam diferenciar o TDAH de outros quadros que podem causar sintomas semelhantes – como ansiedade, depressão, estresse crônico ou mesmo fatores ambientais.

Quanto ao tratamento, o Dr. Eduardo nos conta que este requer uma abordagem multidisciplinar, “ou seja, para além da medicação, envolve acompanhamento, geralmente de neurologista ou psiquiatra; psicoterapia, especialmente com foco em organização, planejamento e autoestima; psicoeducação, para entender o funcionamento do próprio cérebro, o que é fundamental; adaptações no ambiente escolar, profissional e familiar; e, sim, medicação, mas tendo em vista que ela não faz milagre e não trata 100% dos sintomas.”

Os principais remédios utilizados são psicoestimulantes, por exemplo, a lisdexanfetamina e o metilfenidato. “Não são pílulas do foco, não são pílulas da memória, não são pílulas da concentração – enfatiza o Dr. Eduardo –. Muita gente acredita que usar uma medicação como metilfenidato ou lisdexanfetamina vai transformar qualquer um em um gênio produtivo. Não vai. Essas medicações não dão foco a quem não tem TDAH e não são ‘doping cognitivo’. Elas apenas auxiliam, quem tem um déficit real, a regular seus circuitos de atenção e seu controle inibitório. Ou seja, não é uma espécie de Red Bull em cápsula, mas um tratamento para condição crônica.”

O Dr. Eduardo finaliza dizendo: “O TDAH existe, é comum e é tratável, mas ainda é muito subdiagnosticado e mal compreendido. É preciso, por um lado, entender, definitivamente, que crianças com TDAH não são malcriadas e adultos com TDAH não são preguiçosos e, por outro, saber que o diagnóstico e o tratamento corretos podem transformar completamente a realidade de quem vive com o transtorno.”

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