Traumatismo Craniano

O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – observa que, embora seja extremamente comum e já sofrida por praticamente todas as pessoas, nem toda pancada na cabeça é inofensiva. “O traumatismo craniano, como é chamado pela medicina, pode variar desde um susto leve até situações graves, com risco real à vida. Trata-se de qualquer impacto que atinja o crânio, seja por queda, acidente de trânsito, agressão etc.. Dependendo da intensidade do choque, o cérebro pode ser afetado e, às vezes, o problema não aparece na hora do trauma, mas evolui em seguida.”

O traumatismo craniano leve se caracteriza pela manutenção da consciência e da memória, levando, no máximo, a um leve desmaio. Normalmente, não demanda internação, mas deve ser observado. Já os traumatismos moderados a graves podem envolver perda prolongada de memória e de consciência; vômitos; confusão mental e sonolência; além de complicações como sangramentos e outras alterações neurológicas específicas. O Dr. Eduardo aponta que são esses os casos que necessitam de uma avaliação imediata, com exames de imagem como a tomografia. 

“Os principais sinais de alerta, que indicam quando correr para o hospital, são: perda de consciência, mesmo que breve; vômitos repetidos; dor de cabeça com piora progressiva; confusão mental; fala enrolada; comportamento estranho; perda pontual da memória; fraqueza ou dormência nos braços ou pernas; saída de sangue, ou de um líquido bem clarinho, pelo nariz ou ouvido; diferença de tamanho entre as pupilas; e sonolência excessiva ou dificuldade de acordar – aquela história de que não se deve dormir depois de bater a cabeça é um mito clássico. O problema não é dormir. O problema é que a pessoa com sonolência excessiva está entrando num rebaixamento de consciência sem que ninguém perceba. Se a pessoa está bem, lúcida e sem sinal de gravidade do traumatismo, ela pode dormir, sim, desde que alguém fique de olho. Mas, se está sonolenta, além de confusa, precisa ser atendida em um hospital.”

É importante ressaltar que, mesmo com uma pancada aparentemente leve, algumas complicações podem surgir, por exemplo: hematomas intracranianos, caracterizados por sangramentos que se acumulam e gradativamente aumentam a pressão no interior do crânio; concussão cerebral, ou seja, uma alteração temporária no funcionamento do cérebro, cujos sintomas são dor de cabeça, náuseas, tonturas e dificuldade de concentração; crises convulsivas pós-trauma, que podem ocorrer horas, dias ou até semanas depois do trauma; e a síndrome pós-concussão, caracterizada por dor de cabeça, irritabilidade, insônia e falta de foco – sintomas esses que persistem mesmo sem se constatar alterações nos exames.

Como conclui o Dr. Eduardo, “nem toda pancada na cabeça é motivo de pânico, mas também não deve ser banalizada. Na presença de qualquer sintoma neurológico, alteração persistente do estado mental ou piora progressiva nas horas seguintes, um atendimento médico precisa ser procurado.”

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