Tremores e Doença de Parkinson

O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – nota que nem todo tremor está ligado à doença de Parkinson: “A verdade é que existem diversos tipos de tremor, com causas completamente diferentes, sendo a doença de Parkinson apenas uma delas.” A seguir, O Dr. Eduardo explica: o que são os tremores, como distinguir os tipos mais comuns e o que caracteriza a doença de Parkinson.

O tremor é um movimento involuntário, rítmico e oscilatório de uma parte do corpo. “Ou seja, pode afetar as mãos, a cabeça, o queixo, as pernas e, eventualmente, até a voz.” Não se trata de uma doença, mas de um sintoma, cujas causas variam bastante. “Alguns tremores são benignos, podem ter origem familiar, enquanto outros podem ser sintomas de doenças neurológicas mais complexas.”

O tremor essencial é o tipo mais comum e pode ter histórico familiar. Afeta principalmente as mãos, mas também pode envolver a cabeça e a voz. Comumente, piora com o movimento, como ao escrever ou segurar um objeto. Em geral é benigno, mas sua intensidade pode aumentar ao longo da vida e chegar ao ponto de atrapalhar muito as atividades do dia a dia. É relativamente raro que esteja ligado à doença de Parkinson. 

O tremor fisiológico aumentado é uma evolução do tremor comum a todas as pessoas. “Todas as pessoas têm um leve tremor, mas ele pode aumentar em algumas situações, como as de estresse e ansiedade; pela ingestão de algumas substâncias, como cafeína; devido também à hipoglicemia; ou ainda, eventualmente, devido ao tratamento com alguma medicação, por exemplo, para asma. Esse tipo de tremor é especialmente frequente em pacientes que já possuem o tremor essencial. É transitório e reversível, desde que a causa seja identificada.”

O tremor parkinsoniano, por sua vez, é um dos sintomas que caracterizam a doença de Parkinson. “Tipicamente, é um tremor que se observa no paciente em repouso, como, por exemplo, distraído, com a mão apoiada no sofá ou no colo, podendo dar a impressão de um movimento de contar moedas ou de rolar pílulas entre os dedos. Muitas vezes, esse tremor diminui com o movimento da mão.” A doença de Parkinson, em si, é uma doença neurodegenerativa, progressiva, que afeta o sistema nervoso central. “A principal causa da doença de Parkinson é uma redução da dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos”. Entre os principais sintomas motores da doença de Parkinson, o Dr. Eduardo destaca: o tremor de repouso; a lentidão dos movimentos, chamada bradicinesia; rigidez muscular; e alterações da postura e do equilíbrio. “Mas a doença de Parkinson, apesar do grande impacto de seus sintomas motores, possui também outros sintomas comuns, como: perda de olfato; constipação; alterações de sono; alterações de humor; e, em fases mais avançadas, possíveis alterações cognitivas e demência.” O diagnóstico da doença de Parkinson é clínico, feito por um neurologista ou um médico especialista, com base em sinais e sintomas típicos e característicos da doença. Demais exames podem ser solicitados para a exclusão de outras causas ou, em alguns casos, para confirmar a suspeita. Seu tratamento não é curativo, mas pode melhorar muito a qualidade de vida, sendo imprescindível, para isso, iniciá-lo tão logo confirmado o diagnóstico. “O tratamento inclui medicações, que atuam aumentando e ajustando a liberação de dopamina; fisioterapia; fonoaudiologia e terapia ocupacional; acompanhamento psicológico e, em alguns casos, cirurgia, que consiste na implantação de um dispositivo que faz a estimulação cerebral profunda.”

Quando que se deve procurar ajuda? “Na presença de qualquer tremor que atrapalhe atividades simples; de qualquer tremor cuja intensidade esteja aumentando progressivamente; e de tremores associados a outros sintomas motores, como lentidão de movimentos, desequilíbrio ou rigidez muscular.” O Dr. Eduardo enfatiza a extrema importância de se procurar atendimento médico quando esses sintomas forem percebidos, pois eles não são normais em nenhuma idade. “Os tremores são comuns, mas não são todos iguais nem devem ser ignorados. Nem todo tremor é doença de Parkinson, mas todo tremor persistente ou de aumento progressivo em sua intensidade merece avaliação. Com diagnóstico precoce e cuidado adequado, é possível manter autonomia, funcionalidade e qualidade de vida.”

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