O Dr. Eduardo Carabetta – médico neurologista – avalia que há razão no medo causado pelos tumores do sistema nervoso central, ou seja, aqueles do cérebro e da medula. Mas pondera: “nem todo tumor cerebral é maligno, assim como nem todo sintoma é tão óbvio quanto o que a gente ouve falar. O mais importante é reconhecer os sinais precocemente e entender que, com diagnóstico correto e tratamento adequado, há chance real de controle e qualidade de vida.”
Em linhas gerais, os tumores do sistema nervoso central podem ser descritos como crescimentos anormais de células no interior do cérebro ou da medula. Mais particularmente, tais tumores podem ser primários – quando se originam do próprio tecido cerebral ou medular – ou secundários – quando decorrem de um câncer de outra parte do corpo e fazem metástase no sistema nervoso central. Além disso, podem ser benignos – crescendo devagar e não invadindo nem destruindo o tecido – ou malignos – quando crescem rapidamente, invadem e comprimem estruturas vitais, destruindo o tecido cerebral.
O Dr. Eduardo nota que os sintomas dependem diretamente do local afetado e não do nome do tumor. “O cérebro é como um condomínio organizado, cada parte tem a sua função. Por exemplo, se um tumor afeta a área motora, surge a fraqueza. Se afeta a área de linguagem, a pessoa passa a ter dificuldade de falar, de ler e de compreender o que é dito. Se afeta o lobo frontal, observamos alterações comportamentais bizarras.” Entre os sintomas clássicos, destacam-se: dor de cabeça persistente, principalmente ao acordar ou que pioram com o esforço; náuseas e vômitos inexplicáveis; crises convulsivas em pacientes que nunca haviam convulsionado antes; alterações de comportamento, memória ou fala; fraqueza ou dormência em partes específicas do corpo; e alterações visuais, como visão dupla, perda de força ou mesmo turvação.
Os principais tipos de tumores do sistema nervoso central são: os gliomas, incluindo as formas graves, chamadas glioblastomas; os meningiomas, que crescem por fora do cérebro, a partir das meninges, e tendem a ser benignos, embora possam crescer bastante e comprimir o cérebro; os schwannomas ou neurinomas, que afetam mais comumente o nervo acústico, do ouvido; os meduloblastomas e os ependimomas, que são mais comuns em crianças; e as metástases cerebrais, decorrentes de tumores de outros órgãos, como de pulmão, mama, pele, etc..
Como explica o Dr. Eduardo, na presença de sintomas neurológicos inexplicáveis, o neurologista pode pedir uma ressonância magnética – o exame mais sensível para identificar lesões no cérebro e na medula. E, a depender do caso, uma biópsia pode ser necessária para confirmar o tipo de lesão.
O tratamento de tumores do sistema nervoso central varia de acordo com o tamanho, localização e agressividade do tumor, mas geralmente inclui um procedimento cirúrgico para retirada total ou parcial do tumor. Além da cirurgia, o tratamento pode envolver radioterapia, para controle local do crescimento do tumor, e quimioterapia, em alguns casos específicos.
O Dr. Eduardo conclui salientando: “Um tumor no sistema nervoso central não é, em si, uma sentença de morte, mas uma chamada de atenção. Quanto antes for detectado, maiores as chances de tratamento, preservação das funções do sistema e manutenção da qualidade de vida.”